segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Infinito

Imortalidade nega a mortalidade. Segue- se então a relação de encantamento de toda a sociedade.
Viver de forma física ou espiritual, num comprimento inconcebivelmente vasto de tempo,
que busca o comprimento infinito, que busca o maior número existente.

Mas que imortalidade não se finda diante da possibilidade de tamanhas outras possibilidades?
Sistemas cartesianos, tão complexos, que nem dilacerando toda a teoria da relatividade de Einstein daria cabo de tamanho comprimento.
“Eita! Que somos nada mesmo...
Determinadas situações, só queria ser mais uma folha verde, caindo, naquele imenso mar enraizado.”

Pulando de imediato pensamento à idéia exposta.
Trago à nota do infinito todas as vertentes do existir, em seus multiuniversos,
que possibilitam os universos paralelos.
E que me possibilitam estar
Aqui/ Ali.
Dentro/ fora.
Onde e quem eu quiser ser.

Se pensarmos em tudo que somos, nota- se que a complexibilidade do sistema se dá pelo ciclo vicioso da imperfeição.

Imperfeições fundamentais.
Ocorrendo numa sequência de modificações tão extraordinária,
que a brevidade da vida física torna-se um desaforo essencial.

Num mergulho às profundezas de minhas tripas, sou cuspida no espaço sideral.
Num mergulho mais profundo às profundezas de meu âmago, desemboco na formação celular de meu semelhante, ou de uma planta, ou de uma janela.
Num mergulho ainda mais profundo, às minhas profundezas mais sutis, enxergo que sou deusa de mim.

Luciana Araújo

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