Sobre mim penso que:
Enrolo/ Desenrolo.
No fluxo livre e enrolado do pensamento que questiono,
Se consigo entrar no meu inconsciente. Adormecido.
Carente de erupção. Introspecção necessária para a iniciação.
Quem sou eu?
Dotada de magnífica miscigenação, coloco- me no mundo como uma estrela branca do cabelo preto.
Uma flor que teimou a entortar, e ficar torta, e entortar de novo, e (vrup!) enrolar.
Povo Torto, aqui estou eu!
Aterrada.
Pronta pra imergir num oceano interno de questionamentos e entendimentos.
Nasci mulher desejada, branquinha, sorriso puro, cachinhos dourados,
E uma voz inconfundivelmente meiga e colocada.
Mas, convenhamos, isso não quer dizer absolutamente nada.
Repleta de notável articulação e cheia de argumentos, fui ampliando minhas possibilidades conforme meu “bel prazer” mandava.
E, inconseqüentemente, me vi com o poder do mundo em minhas mãos,
E sem mau saber o que fazer perante isso. Comi.
Comi, comi, comi,comi, comi... Todas as minhas angústias.
E essa digestão meu deu desconforto. Me deu enjôo.
Preciso expurgar tudo aquilo que me foi imposto, incompreendido, ausente.
Aquilo que com palavras não sei dizer, mas que o meu corpo simplesmente sente e me aprisiona num baú psicológico que por muitas situações me impediu de voar.
E às vezes ainda me impede, com a diferença de que agora consigo identificar e virar a chave.
Pular da condição de vítima da sociedade à agente ativo de uma situação, e sim,
Me aceitar!
Perante minha beleza torta, meu trilhar por vezes enrolado, minhas imperfeições.
E continuar esta pesquisa interna de resoluções.
Afinal de contas, é isso que eu sou, é isso que somos. E frente à condição de humanos errantes, vamos comemorar!
Carnavalizar nossa existência!
Dançar com os mendigos, as putas, os bêbados, os deficientes, os estrangeiros, os desajeitados.
Somos tudo a mesma coisa, somos tudo e somos nada.
Afinal de contas, é isso aí, somos tudo a mesma coisa, somos tudo e somos nada.
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